Tarifas antidumping favorecem a indústria siderúrgica nacional, mas vão encarecer o custo do aço para a indústria de transformação.

Por Jorge Ferreira, CFA

O governo brasileiro anunciou tarifas de importação em torno de 25% sobre determinados produtos de aço importado. A medida beneficia as siderúrgicas brasileiras ao reduzir a pressão competitiva do produto externo e, portanto, ampliar o espaço para recomposição de margens e preços no mercado doméstico. Como o setor siderúrgico tem alta concentração (poucos produtores relevantes), a dinâmica competitiva costuma permitir repasses mais rápidos quando há choque de oferta/concorrência, especialmente em linhas onde a substituição por importado era o principal “freio” de preço.

Na prática, o efeito mais provável nos próximos meses é uma elevação do preço interno do aço, com intensidade variando por tipo de produto (planos, longos, revestidos etc.), pela dependência histórica de importações e pelo nível de estoques na cadeia. O aço é insumo central para diversas cadeias, tais como: automotiva, máquinas e equipamentos, linha branca, embalagens metálicas, construção civil, implementos, bens de capital, entre outras. Assim, o impacto tende a aparecer como aumento de custo industrial e, em parte, como repasse ao consumidor final, dependendo do poder de precificação de cada segmento e do nível de demanda.

Se a sua empresa utiliza o aço como matéria prima, fique atento aos preços. Talvez faça sentido aumentar o estoque se conseguir fechar negócio com o preço vigente até a aplicação das tarifas, renegociar contratos de fornecimento e reavaliar preços de venda.

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