Quando a venda de ativos se torna uma necessidade para uma empresa?

Por Jorge Ferreira, CFA

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) encerrou o terceiro trimestre de 2025 com uma dívida financeira líquida recorde de R$34,7 bilhões (resultado de uma dívida financeira bruta de R$ 52,1 bilhões e um caixa de R$ 17,4 bilhões).

O prejuízo acumulado nos doze meses anteriores à setembro de 2025 é de R$ 1,5 bilhão. O ano de 2025 deve ter encerrado como o terceiro exercício consecutivo com prejuízo líquido, devido às margens mais baixas desde o boom pós pandemia, à maior concorrência com importados, ao elevado custo da dívida e ao elevado endividamento.

É quase uma tempestade perfeita para um dos maiores grupos industriais do Brasil.

A dívida financeira bruta da companhia saltou de R$ 30,0 bilhões em 2021 para R$ 52,1 bilhões em setembro de 2025. Já a dívida financeira líquida saltou de R$ 10,0 bilhões para R$ 34,7 bilhões no mesmo período.

Assim, como resultado do aumento na dívida e da queda no resultado e geração de caixa, o endividamento da companhia disparou, resultando na necessidade de medidas de restruturação para evitar uma crise de liquidez. Estima-se que o endividamento, medido pela relação entre a dívida financeira líquida e o EBITDA da companhia possa chegar a 5,0 vezes em 2026, muito acima de patamares considerado razoáveis.

Uma das medidas que vem sendo anunciadas pela gestão da companhia para evitar uma crise ainda mais severa é a venda de ativos. A CSN tem muitos ativos operacionais com alto valor de mercado e mostra-se disposta a vendê-los, mesmo em um ciclo de baixa, para levantar capital e reduzir o endividamento.

Estima-se que a companhia esteja buscando captar entre R$ 15,0 e R$ 18,0 bilhões com a venda de ativos. Além do segmento siderúrgico, a companhia também atua em mineração, cimento e infraestrutura (ferrovias, terminais portuários, entre outros).

Em momentos desafiadores, quando o ciclo de negócios está em baixa e/ou o endividamento está elevado, a venda de ativos, mesmo que operacionais, pode ser uma medida necessária para que as empresas possam reduzir a alavancagem e ganhar fôlego para que se possa implementar outras medidas de restruturação e até que os negócios melhorem.

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